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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E agora: mudar pelo dinheiro ou ficar pela carreira?

A festa de formatura acabou, as luzes se apagaram. Colegas, professores, amigos, familiares, todos foram embora. Sobrou a noite fria da solidão do seu quarto, um canudo universitário na sua mão e pensamentos que lembram Drummond, na sua sábia pergunta "E agora, José? E agora, você?"

A vida de estudante, com alegrias e sacrifícios, ficou para trás. O futuro profissional lhe pertence tanto para as necessidades de sobrevivência quanto para a realização pessoal. José se lembra das conversas que teve com os seus professores e colegas de classe. Em resumo, eles diziam: tudo começa com um bom estágio.

A maioria das empresas sólidas que se preocupam com o desenvolvimento profissional contrata vários estagiários e seleciona os melhores para trainees. Outras, também sólidas, são mais rigorosas no processo seletivo e recrutam estagiários para serem depois efetivados como trainees. Neste caso, a regra é manter o estagiário. Essas companhias entendem que seria uma grande perda não continuar com ele depois de formado, em função do grande investimento efetuado no treinamento em sala de aula e treinamento no trabalho.

A pergunta "E agora, José?" tem pelo menos um princípio de resposta. Seu estágio terminou, você teve ótimas oportunidades de aprendizagem e, verdade seja dita, soube aproveitá-las. E mais, foi convidado para ser efetivado e participar do programa de trainee da Empresa "Alfa". O salário é apenas razoável. Surge o dilema: aceitar ou procurar uma oportunidade salarial melhor no mercado de trabalho?

Novamente José resgatou conversas e experiências de colegas da faculdade. Pensou no Antonio, veterano do mesmo curso e formado há dois anos. Naquela mesma época ele estava muito feliz, pois, além da formatura, tinha conseguido um emprego com um ótimo salário. Meses atrás, no entanto, José o encontrou triste e cabisbaixo. Mesmo com ótimo salário, Antonio, desmotivado confidenciou ao amigo: "Salário não é tudo, pois a empresa não investia em treinamento e desenvolvimento profissional. Pior, não havia perspectiva de crescimento".





Antonio se sentia estagnado. Era como se batesse a cabeça no teto, não havia para onde ir, sobrava a rotina do dia a dia, sempre realizando as mesmas atividades. Não havia na empresa uma política de movimentação horizontal (rodízio de cargos no mesmo nível hierárquico) e eram raríssimas as movimentações verticais (promoções).

O sofrimento do amigo acendeu um alerta. Tomar uma decisão, apenas focando o salário, representa uma visão de curto prazo. A decisão deve estar centrada em uma abordagem estratégica, levantando a pergunta "onde eu quero chegar profissionalmente daqui a cinco anos?". A partir destas reflexões, José resolveu conversar com o gestor dos estagiários e pedir esclarecimentos necessários para uma tomada de decisão eficaz.

O gestor explicou que, além do salário razoável, a empresa oferecia um plano de carreira, sintetizado nas seguintes etapas de ascensão: estagiário, trainee, assistente, sênior, coordenador, gerente. Explicou que, conforme o planejamento de carreira do colaborador, estabelecido consensualmente com a hierarquia da empresa, poderia haver movimentações horizontais. Apresentou também o tempo médio estimado que os colaboradores ficavam em cada um dos cargos, sempre levando em consideração o desempenho profissional esperado.

Disse mais: que o colaborador poderia chegar à alta hierarquia da empresa no cargo de diretor ou até mesmo de sócio, sempre em função do desempenho e resultados alcançados. José aceitou o convite, pois o conjunto da obra apresentava um bom equilíbrio entre carreira e salário, evidenciando que o momento era de investimento na carreira profissional.

Fonte: administradores.com, em 23 de fevereriro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Brasil não deve usar reservas cambiais para ajudar Europa

Em momentos de turbulência na economia, uma boa notícia, mesmo que seja ainda no campo das especulações, pode se transformar em fato comemorado. É o caso da possível , mas nada acertada, ajuda dos chamados Brics (Brasil, Rússia, India e China) aos países da comunidade europeia. Tudo começou com rumores de que a China estaria comprando títulos da Itália.

No caso do Brasil, será muito improvável que o país utilize os recursos das reservas internacionais para comprar títulos públicos de países da Europa, como Itália e Espanha, como especulou o mercado financeiro brasileiro e internacional. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que o Brasil vai “participar das discussões” com os parceiros do Brics para ver o que é possível fazer. Mas ficou só a promessa de uma discussão.

“O Brasil não pode comprar ativos com recursos das reservas internacionais que não sejam AAA (nota máxima de classificação de risco)”, ressalva o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, durante a gestão de Henrique Meirelles.

Schwartsman baseia-se na regulação do BC que determina as diretrizes dos investimentos feitos com as reservas internacionais do país como principal entrave para que o Brasil use esse dinheiro para ajudar a Europa. A diretoria colegiada do Banco Central tem autonomia para definir o perfil de risco e de retorno esperado dos investimentos. A escolha para alocação dos recursos também leva em consideração limites de risco de crédito e liquidez dos ativos, sempre procurando reduzir a exposição do país ao risco cambial.

Uma das possibilidades apuradas pelo G1, se o país não flexibilizar as regras de investimento das reservas internacionais, seria utilizar os recursos do Fundo Soberano criado em 2008. Atualmente, conta com cerca de R$ 15 bilhões, sendo que 85% estão aplicados em ações do Banco do Brasil e da Petrobras. Para ter mais dinheiro disponível, uma solução seria capitalizar o Fundo através do Tesouro Nacional.

A conta das reservas internacionais é mais gorda, mas com critérios bem mais rígidos. O Brasil fechou o mês de julho com US$ 352 bilhões em reservas cambiais. Em dezembro de 2010, segundo relatório de gestão das reservas, a alocação dos recursos por moedas estava distribuída da seguinte forma:  81,8% em dólar norte-americano, 6,0% em dólar canadense, 4,5% em euro, 3,1% em dólar australiano, 2,7% em libra esterlina e 1,9% em outras moedas, tais como o iene japonês. Desse total, 97% estavam investidos em ativos AAA.

“Os diretores do BC respondem juridicamente pela má gestão das reservas se as escolhas não forem muito responsáveis. Eu não acharia correto usar esse dinheiro para ajudar a Europa. Até porque, qual seria o objetivo do Brasil? Eu acho muito difícil fazerem isso,  se tiverem bom senso não vão deixar”, diz o ex-BC Alexandre Schwartsman.

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega avalia que o Brasil até poderia dar uma “ajuda simbólica” aos europeus, mas não acredita na capacidade de coordenação do Brics para agirem juntos.

“O que une os países do Brics hoje é o fato de eles serem grandes e com tendência a serem atores relevantes no futuro da economia mundial. Se o Brasil decidir ajudar os europeus, compraria papéis baratos, com rentabilidade maior que a dos títulos dos EUA, mas com maior risco de crédito sim. Seria muito mais a combinação do ‘gesto’ com uma contribuição que pode ajudar a deter o colapso europeu. Mas teria mais um efeito simbólico”, avalia Maílson.

O Brasil já enfrentou graves crises, num passado não muito distante, de natureza muito semelhante ao que acontece hoje nos países do velho mundo. Os mercados eram menos integrados, o contágio era menor e atingia os mais pobres. Uma boa ajuda aos europeus poderia ser ouvir dos brasileiros a experiência e a vivência de quem já enfrentou o mesmo problema, com a diferença de que o Brasil não era levado em consideração pelos mais ricos. Talvez essa ajuda seja cara demais a quem está há séculos ditando os caminhos que o mundo deve percorrer. Mesmo que o destino tenha se revelado equivocado.

Fonte: http://g1.globo.com/platb/thaisheredia/

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Brics vão discutir ajuda à União Europeia, diz Mantega

Nesta semana, fundo chinês informou que pode comprar títulos italianos.
Modelo poderia ser usado por Brics para ajudar UE, especulam analistas.


Os países que integram o chamado "Brics", que são o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, vão se reunir na próxima semana em Washington (Estados Unidos) e discutir como fazer para ajudar a União Europeia, informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta terça-feira (13). Na próxima semana, acontece na capital norte-americana a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em um momento no qual a Itália é pressionada pelos mercados financeiros, saiu a confirmação de que o ministro italiano das Finanças, Giulio Tremonti, se reuniu na semana passada com o presidente do fundo soberano chinês CIC.

De acordo com o jornal Financial Times, as conversas abordaram a compra pela China de títulos da Itália, país que enfrenta uma crise de confiança dos mercados. Além da Itália, outros países da União Europeia, como a Espanha, a Grécia, também enfrentam problemas para pagar suas contas.

A compra de títulos de países da União Europeia, segundo analistas, poderia ser um modelo adotado pelos países integrantes do Bric para tentar ajudar a Zona do Euro. Para isso, os governos dos países emergentes poderiam lançar mão de suas reservas internacionais. Somente o Brasil, por exemplo, possui mais de US$ 350 bilhões em reservas cambiais - a maior parte aplicada em títulos do tesouro dos Estados Unidos, considerados de baixo risco.

Dados da agência europeia de estatística, a Eurostat, divulgados na semana passada, mostram que a economia da União Europeia e da zona do euro cresceu no segundo trimestre apenas 0,2% em relação aos três primeiros meses deste ano. Entre janeiro e março de 2011, a economia da região havia avançado 0,8%.

Esta queda se deve à redução do consumo das famílias e à forte freada no avanço dos maiores países da UE, principalmente a Alemanha, que cresceu somente 0,1% na comparação com o trimestre anterior, e a França, cuja economia estagnou.

Outras economias importantes da zona do euro, como Itália, Espanha e Holanda, também registraram crescimentos menores de suas economias, respectivamente 0,3%, 0,2% e 0,1%, segundo dados da Eurostat.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/09/brics-vao-discutir-ajuda-uniao-europeia-diz-mantega.html

Sob pressão dos mercados, Itália negocia com chineses

Ministro das Finanças esteve com presidente de fundo soberano chinês.
País passa por crise de confiança dos mercados.


O ministro italiano das Finanças, Giulio Tremonti, se reuniu na semana passada com o presidente do fundo soberano chinês CIC, informou o governo nesta terça-feira (13), em um momento no qual a Itália é pressionada pelos mercados financeiros.

Giulio Tremonti se reuniu em Roma com uma delegação chinesa, que era liderada por Lou Jiwei, presidente do fundo China Investment Corp, informou à agência AFP um porta-voz do ministério, que se recusou a revelar os detalhes das conversas.

De acordo com o jornal Financial Times, as conversas abordaram a compra pela China de títulos da Itália, país que enfrenta uma crise de confiança dos mercados.

Conselho europeu

 
A implementação do pacote de reforma e austeridade fiscal para equilibrar o Orçamento da Itália até 2013 é importante não apenas para o país, mas para toda a zona do euro, disse o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Van Rompuy, que preside as reuniões trimestrais dos líderes da União Europeia, falou a jornalistas depois de uma reunião com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

"Nossa reunião foi centrada na situação econômica da zona do euro e nas medidas tomadas pela Itália e nas reformas de governança econômica", afirmou Van Rompuy.

Berlusconi confirmou sua ambição de alcançar o equilíbrio orçamentário até 2013 e disse que o pacote de austeridade será aprovado pelo Parlamento na quarta-feira.

"Assim como o pacote de austeridade, nós estamos determinados a buscar medidas para impulsionar o crescimento", disse Berlusconi.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2011/09/sob-pressao-dos-mercados-italia-negocia-com-chineses.html

Dólar vira e passa a operar em queda nesta terça-feira

Na segunda-feira, moeda fechou acima de R$ 1,70 pela 1ª vez em 2011.
Divisa fechou a R$ 1,7095 para venda, com alta de 1,93%.


Após abrir o dia com valorização e chegar a operar em alta pelo nono dia seguido, o dólar mudou de rumo e passa a ter baixa nesta terça-feira (12).

Perto das 11h, a moeda caía 0,05%, a R$ 1,707 na venda.

Na segunda-feira (12), o medo de um calote da dívida grega e de um agravamento da crise na Europa empurrou o dólar acima de R$ 1,70 pela primeira vez neste ano, com alta de quase 2%. Foi o oitavo dia consecutivo de ganho da moeda frente ao real.

A moeda norte-americana fechou a R$ 1,7095 para venda no mercado à vista, com alta de 1,93%. É a maior cotação de fechamento desde 17 de dezembro.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2011/09/dolar-vira-e-passa-operar-em-queda-nesta-terca-feira.html